Regência verbal e nominal aprofundada
Aprofundando o tema iniciado no 7º ano, este bloco explora casos de regência verbal e nominal que costumam gerar mais dúvida, incluindo verbos que mudam de sentido conforme a preposição usada, verbos que têm regência dupla aceita pela norma culta e casos em que a fala cotidiana se distancia da norma padrão.
Temas abordados nesta unidade
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Verbos que mudam de sentido conforme a regência
Alguns verbos mudam completamente de sentido dependendo da preposição que os acompanha (ou da ausência dela). O verbo 'assistir' significa 'ver' quando seguido da preposição 'a' ('assistir ao filme'), mas significa 'prestar assistência' ou 'morar' (regionalmente) quando usado sem preposição ('o médico assistiu o paciente'; 'ele assiste em São Paulo'). O verbo 'visar' significa 'ter como objetivo' quando seguido de 'a' + infinitivo ('a campanha visa a reduzir o desperdício'), mas é transitivo direto quando significa 'mirar' ou 'dar visto em documento' ('o funcionário visou o passaporte'). Essas nuances de sentido exigem atenção redobrada na hora de escolher a construção adequada.
Verbos com regência dupla aceita pela norma culta
Alguns verbos admitem mais de uma regência, ambas aceitas pela norma padrão. O verbo 'agradecer' pode ser construído como 'agradecer algo a alguém' (transitivo direto e indireto: 'agradeci o presente à professora') ou como 'agradecer a alguém por algo' (transitivo indireto: 'agradeci à professora pelo presente'). O verbo 'informar' também aceita duas construções: 'informar algo a alguém' ou 'informar alguém de algo'. Reconhecer essa flexibilidade evita que o aluno pense que existe apenas 'uma forma certa' quando, na verdade, a língua oferece mais de uma opção correta para determinados verbos.
Regência de verbos pronominais frequentes
Verbos pronominais (usados com o pronome 'se' ou variações: me, te, nos) costumam ter regência diferente de sua forma sem o pronome. 'Esquecer' (sem pronome) é transitivo direto: 'esqueci o guarda-chuva'. 'Esquecer-se' (com pronome) é transitivo indireto, exigindo a preposição 'de': 'esqueci-me do guarda-chuva'. O mesmo padrão vale para 'lembrar' e 'lembrar-se': 'lembrei o compromisso' / 'lembrei-me do compromisso'. Um erro muito comum é misturar as duas construções, dizendo incorretamente 'esqueci-me o guarda-chuva' ou 'lembrei do compromisso' sem o pronome — cada forma verbal tem sua própria regência, que deve ser respeitada isoladamente.
Regência nominal em contextos formais
Muitos substantivos e adjetivos exigem uma preposição específica em sua regência, o que também é cobrado com frequência em textos e provas formais. O adjetivo 'apto' exige a preposição 'a' ou 'para': 'apto a exercer o cargo'. O substantivo 'obediência' exige a preposição 'a': 'obediência às regras'. O adjetivo 'próximo' exige a preposição 'a' ou 'de': 'próximo à escola'. Assim como na regência verbal, não existe uma regra única que resolva todos os casos de regência nominal — o mais eficiente é ler bastante e consultar o dicionário quando surgir dúvida sobre qual preposição um determinado nome exige.
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Perguntas frequentes
O verbo 'preferir' pede que tipo de construção na norma culta?
Na norma culta, 'preferir' não deve ser seguido de 'do que', e sim da preposição 'a': o correto é 'prefiro estudar a assistir TV', embora 'prefiro estudar do que assistir TV' seja muito comum na fala cotidiana.
Qual a diferença entre 'esquecer algo' e 'esquecer-se de algo'?
As duas formas estão corretas, mas seguem regências diferentes: sem o pronome 'se', o verbo é transitivo direto ('esqueci o caderno'); com o pronome 'se', torna-se transitivo indireto, exigindo a preposição 'de' ('esqueci-me do caderno').
O verbo 'namorar' exige preposição?
Não. Na norma culta, 'namorar' é transitivo direto, sem preposição: o correto é 'ele namora Maria', e não 'ele namora com Maria', construção comum na fala informal, mas evitada na escrita formal.